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Entenda a Esquizofrenia

 

A esquizofrenia é o transtorno mental mais estudado, entretanto nos sete anos de existência da ABRE compreendemos que há uma distância entre estes conhecimentos e a experiência vivida pela pessoa e seus familiares. O nosso trabalho como Associação é diminuir este espaço, de maneira que as pessoas possam entender a esquizofrenia e exercitar o que denominamos de "esperança realista". A esperança que busca a cada dia caminhos de melhoras e entendimentos vividos no dia a dia. Os profissionais de saúde mental e suas técnicas de tratamento são fundamentais para enfrentar a esquizofenia, mas é cada pessoa que pode redesenhar o prórprio caminho de vida, de forma a ter uma vida com a melhor qualidade possível e aprender com os desafios e com as coisas boas que a vida também tem.

 

Lembramos que um dos valores em que realmente acreditamos é que a pessoa é muito maior que a esquizofrenia. E todos os dias comprovamos este valor nas relações com as pessoas e seus familiares.

 

 

 

O que é a esquizofrenia?

 

Começamos a resposta para esta pergunta com a consideração de que tecnicamente é muito difícil ou até impossível responder perguntas do tipo “o que é?”. Quando respondemos este tipo de pergunta invariavelmente formulamos uma definição, deixando de lado várias características e experiências de que a definição não dá conta. Uma maneira de contornar esta dificuldade é tentar da melhor maneira possível responder à pergunta do tipo “como acontece?”, aí podemos delinear uma caracterização que abre espaço para a reflexão de quem lê.

 

A visão que cada um tem sobre um assunto ou um tipo de experiência está relacionada à maneira como sua história foi vivida. Não existe uma única verdade que nos dê garantias sobre como é a realidade. Até na matemática, a mais exata das ciências, existem diferentes visões sobre seus princípios. No contexto em que as pessoas com esquizofrenia estão inseridas, entendemos que há quatro visões distintas: a da pessoa que tem esquizofrenia, a de seus familiares, a dos profissionais e a da comunidade onde se vive. É importante frisar que cada uma delas é correta com base no próprio ponto de vista.

 

Uma das explicações úteis sobre o que é a esquizofrenia é a que segue:

 

A esquizofrenia é uma doença que se caracteriza pela dificuldade que a pessoa apresenta de diferenciar a realidadee suas crenças e percepções muito incomuns. Ela aparece normalmente entre o final da adolescência e começo da vida adulta e atinge cerca de 1% da população. A esquizofrenia é uma doença que altera o funcionamento do cérebro e, portanto, o tratamento com remédios é fundamental. Os sintomas causam muitas dificuldades para a pessoa e para os familiares. Neste tópico apresentaremos os principais sintomas de maneira que possam ser compreendidos.

 

A pessoa passa a acreditar que a realidade se apresenta de uma maneira diferente, suas idéias e pensamentos apresentam conteúdos que para ela são verdade, mas que não estão realmente acontecendo. Por exemplo, ela pode acreditar que está sendo perseguida, que está sendo filmada, em conseqüência, que tem poderes especiais ou uma missão muito importante no mundo. Estas crenças são uma convicção para a pessoa e não se desfazem com nenhuma argumentação. Elas são chamadas pelos médicos de delírios.

 

As percepções dos cinco sentidos também ficam modificadas, a pessoa passa a ter percepções sem que haja o estímulo externo. Por exemplo, ouvir vozes que comentam o seu comportamento ou dão ordens, e não há ninguém falando. Também pode sentir cheiros e gosto diferentes em alimentos saudáveis; pode ter visões sem os objetos reais; e pode ter formigamento e outras sensações no corpo. Estas percepções recebem o nome de alucinações.

 

Os pensamentos podem ficar confusos. A pessoa pode ter a sensação que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas; pode ter a sensação que seus pensamentos foram roubados ou que podem ser controlados; e ainda que pensamentos estranhos foram colocados em sua cabeça. Esta confusão dos pensamentos se expressa na forma como a pessoa se comunica, para as outras pessoas parece que ela fala coisas sem sentido ou em alguns casos o que diz parece uma salada de palavras. Os médicos chamam estas vivências de alterações do pensamento.

 

A pessoa passa a ter uma perda da vontade para realizar suas atividades. Em parte por uma perda do prazer em realizá-las e em parte por dificuldades novas, que antes não tinha, como por exemplo, dificuldades de memória e organizar-se para realizar tarefas com começo, meio e fim. Isto se pode se dar com as atividades mais corriqueiras. Estas dificuldades são chamadas de perda da vontade e déficits cognitivos.

 

Há uma dificuldade em expressar os sentimentos e emoções, passando a impressão de que perdeu estas capacidades. Na realidade a pessoa tem sentimentos e emoções e é angustiante para ela não conseguir demonstrá-las. É como se a pessoas estivesse alheia ao que se passa à sua volta e a vida fosse um filme monótono em branco e preto. Estas dificuldades são chamadas de alterações do afeto.

 

É preciso lembrar que os sintomas acontecem ao mesmo tempo, mudando o comportamento da pessoa o que confunde muito a família e os amigos.

Também é importante saber que a esquizofrenia evolui através de crises agudas e períodos de remissão. As crises agudas se bem tratadas podem ser controladas em torno de um mês. Os períodos de remissão se bem tratados podem durar anos, durante os quais a pessoa tem a possibilidade de redesenhar o seu caminho de vida. A esquizofrenia é um transtorno mental crônico, isto é, precisa de tratamento por tempo indeterminado. Geralmente as crises ocorrem porque a pessoa abandona os tratamentos, por isso seguir os tratamentos é fundamental.

 

Fonte: Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia

 

 

 

 

 

 

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